A capital de Minas Gerais é Belo Horizonte, inaugurada como nova sede do governo estadual em 12 de dezembro de 1897. Antes dela, essa função era exercida por Ouro Preto. A mudança envolveu a construção de uma cidade planejada sobre a área do antigo arraial do Curral del Rei.
Essa história explica por que três nomes aparecem nas consultas sobre a capital mineira: Ouro Preto, Cidade de Minas e Belo Horizonte. O primeiro identifica a antiga sede; os outros dois se referem à nova capital em momentos diferentes de sua denominação.
Belo Horizonte é a capital desde quando?
A data de referência é 12 de dezembro de 1897, quando ocorreu a inauguração oficial. A escolha do lugar, no entanto, havia sido aprovada quatro anos antes. A linha do tempo da Câmara Municipal de Belo Horizonte registra a decisão do Congresso Mineiro pela construção no arraial de Belo Horizonte, formalizada pela Lei Adicional nº 3, de 17 de dezembro de 1893.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 1893 | Escolha do local da nova capital pelo Congresso Mineiro |
| 1894 | Início dos trabalhos de construção da nova cidade |
| 12 de dezembro de 1897 | Inauguração da capital, então denominada Cidade de Minas |
| 1901 | A denominação oficial passou a Belo Horizonte |
Portanto, 1893 não é a data da inauguração, e 1901 não marca uma segunda transferência de capital. A cidade já estava instalada quando seu nome foi alterado. O aniversário de Belo Horizonte é celebrado em 12 de dezembro.
Por que Ouro Preto deixou de ser a capital?
Ouro Preto havia concentrado o poder político durante a capitania, a província e os primeiros anos do estado republicano. A prefeitura ouro-pretana registra que a cidade perdeu essa condição em 1897, num contexto em que a expansão física do núcleo urbano encontrava limitações.
A topografia de morros e encostas pesava no debate, mas a decisão não foi apenas uma questão de terreno. Após a Proclamação da República, em 1889, ganhou força o projeto de uma sede que representasse os ideais de modernização do novo regime. Planejar ruas, edifícios públicos e infraestrutura permitia associar a nova organização política a uma transformação visível do espaço urbano.
Houve disputa pela localização. Além de Belo Horizonte, foram estudadas Juiz de Fora, Barbacena, Paraúna e Várzea do Marçal. O Congresso estadual escolheu o arraial de Belo Horizonte após o processo de avaliação e debate. Não se tratou de uma troca automática pela maior ou pela mais antiga cidade mineira.
Ouro Preto continuou sendo um município, com sua população, instituições e patrimônio. O que mudou foi a sede do governo estadual. A transferência também deslocou órgãos e documentos: parte do acervo administrativo saiu da antiga capital, enquanto outros registros permaneceram ali e hoje integram sua memória local.
O que existia antes da cidade planejada?
A região escolhida já era habitada. O Curral del Rei era um arraial, depois chamado Belo Horizonte, vinculado a Sabará antes da formação da nova capital. Por isso, dizer que a cidade foi planejada não significa que tenha sido construída sobre um lugar vazio.
Os levantamentos da Comissão Construtora registraram propriedades e ocupações para viabilizar as desapropriações. Casas, fazendas e caminhos existentes tiveram de se relacionar com o desenho imposto para a nova sede. Documentos preservados pelo patrimônio municipal mostram que a construção alterou a vida de moradores e o uso das terras.
Essa distinção evita uma leitura incompleta da fundação: o projeto urbano de 1897 é um marco da capital, mas a história do território e de seus habitantes começou antes dele.
Como foi planejada Belo Horizonte?
A Comissão Construtora da Nova Capital iniciou os trabalhos sob a direção do engenheiro Aarão Reis, substituído por Francisco de Paula Bicalho em 1895. O acervo do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte conserva plantas, registros administrativos e outros documentos produzidos entre 1894 e 1897.
O plano separava zonas urbana, suburbana e rural. Na área central, a atual Avenida do Contorno delimitava a zona urbana, com a Avenida Afonso Pena como um de seus eixos principais. Fora desse perímetro, o traçado se ajustava de outra forma ao relevo e aos usos previstos.
A divisão também estabelecia diferenças de função e de infraestrutura. Enquanto o núcleo central concentrava instituições da capital, as áreas externas abrigavam outras formas de ocupação, inclusive atividades agrícolas destinadas a abastecer a cidade. A Belo Horizonte de hoje cresceu muito além daquele desenho inicial.
Ao olhar um mapa atual, portanto, a Avenida do Contorno ajuda a reconhecer o núcleo planejado original. Ela não representa o limite do município nem o de toda a área urbana contemporânea.
Praça da Liberdade e Cidade Administrativa contam fases diferentes
A Praça da Liberdade se tornou uma referência do poder estadual na capital, com o Palácio da Liberdade e os edifícios que abrigaram secretarias. O conjunto permanece importante para compreender a relação entre arquitetura e governo na formação de Belo Horizonte.
Em 2010, a transferência da sede administrativa do governo para a Cidade Administrativa, na região Norte de Belo Horizonte, abriu uma nova fase. Antigos prédios da Praça da Liberdade passaram a integrar o circuito cultural, com espaços dedicados a exposições, memória e outras atividades.
Essa mudança de endereço dentro de Belo Horizonte não mudou a capital de Minas Gerais. A cidade permaneceu com essa função. Quem pretende visitar o conjunto histórico da praça ou resolver um atendimento estadual deve observar o endereço específico: os dois lugares têm usos e localizações diferentes.
Assim, a resposta à pergunta principal continua direta: Belo Horizonte é a capital mineira. Ouro Preto corresponde à antiga sede, e Cidade de Minas é uma denominação histórica de Belo Horizonte, não outro município que tenha assumido o governo entre as duas.
